Mostrando postagens com marcador A história por trás da música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A história por trás da música. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A origem da famosa canção "Hark! the Herald Angels sing"

"Hark! The Herald Angels Sing" é uma canção natalina inglesa.

História

A parte principal da letra é de autoria de Charles Wesley, que foi publicada em 1739 em sua coletânea Hymns and Sacred Poems. Ali o texto inicia com: „Hark! How All The Welkin Rings / Glory To The King of Kings“. George Whitefield, que trabalhou com Wesley, alterou a letra posteriormente para a versão atual.

Inicialmente a letra era cantada com a melodia de Amazing Grace. O próprio Wesley utilizou a mesma melodia para o hino de Páscoa Christ the Lord is Risen Today.

A melodia atual foi escrita por Felix Mendelssohn Bartholdy, sendo originalmente parte da cantata festiva em homenagem a Gutenberg que Mendelssohn compôs em Leipzig, em 1840, para a comemoração do quarto centenário da invenção da imprensa, da mesma forma como sua 2ª Sinfonia "Lobgesang" ("Canto de Louvor").

Por outro lado, a grande semelhança da estrutura melódica e harmônica da composição de Mendelssohn com a Gavota de Bach da Suíte Orquestral nº4 supõe uma possível adaptação de Mendelssohn.

Em 1855, William Hayman Cummings adaptou a melodia de Mendelssohn do segundo coral "Vaterland, in deinen Gauen" ("Ó Pátria, em teus rincões") e colocou o texto de Wesley, que foi publicado como contrafação no livro de hinos.

Quando o editor inglês pediu permissão a Mendelssohn de colocar uma letra religiosa inglesa na cantata a Gutenberg este não a lhe concedeu.

A canção tornou-se mundialmente conhecida quando de sua utilização no especial "O Natal de Charlie Brown" em 1965, numa montagem de Vince Guaraldi.

A semelhança do tema com Bach motivou o australiano Nigel Poole a fazer um arranjo da Gavota que ele publicou como cantiga de Natal para coro misto com acompanhamento de piano.

(Tradução livre da Wikipedia)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Adriano Banchieri viveu em Bolonha no início do século 17 e foi um importante teórico e compositor de músicas vocais sacras e seculares, assim como de música instrumental. Escreveu várias farsas musicais e a peça que vamos ouvir é um madrigal a 5 vozes da farsa “Festino nella sera del giovedi grasso” – festim da noite de quinta-feira gorda, que precede o Carnaval, na qual um cuco, uma coruja, um gato e um cachorro improvisam um contraponto sobre um cantus firmus litúrgico cambaleante.

Esta obra foi denominada pelo autor de CONTRAPONTO BESTIALE ALLA MENTE.
Antes de seu início o autor nos brinda com uma peça polifônica a 3 vozes denominada por ele de CAPRICIATA A TRE VOCI, que anuncia o festim descrito: “nobres espectadores, apreciem agora os quatro personagens bem humorados de nossa história: o cuco, a coruja, o gato e o cachorro...”

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Saiba um pouco mais sobre as obras que estamos cantando e seus compositores



Tomás Luis de Victoria - Ave Maria

Nascido em Ávila, Espanha, em 1548 e falecido em  Madri em 1611, Victoria teve as primeiras aulas de música como coralista de catedral. Enviado a Roma em 1565 por Filipe II, a fim de se preparar para o sacerdócio no Collegium Germanicum, estudou com Palestrina, a quem sucedeu na direção musical do Seminário Romano em 1573. Mais tarde, passou ao serviço da imperatriz Maria, viúva de Maximiliano II da Alemanha. Depois, em Madri, entrou para o Convento de las Descalzas Reales, em1584, onde se tornou mestre de capela e organista, em 1594,  onde ficaria até sua morte.

Sua produção conhecida compreende missas, motetos, além de magnificats, missas fúnebres, salmos, hinos e composições para a semana santa. Em seu último trabalho, o réquiem em memória da Imperatriz, de 1605, faz uso de contrastes tonais antecipando as concepções harmônicas do período barroco.

Ave Maria é uma famosa oração de piedade católica. Durante séculos evoluiu a partir de duas citações do Evangelho de Lucas quando o Anjo Gabriel saudou Maria anunciando o nascimento de Jesus: "Ave Maria cheia de graça o senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre". Mais tarde a Igreja adicionou os nomes e o pedido final: "Santa Maria mãe, rogai por nós pecadores…"




Johann Sebastian Bach

Bach nasceu em Eisenach, Alemanha, em 1685, e faleceu em Leipzig, em 1750. De uma família com longa tradição musical, cedo mostrou possuir talento e logo tornou-se um músico completo. Estudante incansável, adquiriu um vasto conhecimento da música europeia de sua época e das gerações anteriores. Desempenhou vários cargos em cortes e igrejas alemãs, mas suas funções mais destacadas foram a de Kantor da Igreja de São Tomás e Diretor Musical da cidade de Leipzig, onde desenvolveu a parte final e mais importante de sua carreira.

Praticou quase todos os gêneros musicais conhecidos em seu tempo, com a notável exceção da ópera, embora suas cantatas maduras revelem bastante influência desta que foi uma das formas mais populares do período Barroco.

Na apreciação contemporânea Bach é tido como o maior nome da música barroca, e muitos o vêem como o maior compositor de todos os tempos, deixando muitas obras que constituem a consumação de seu gênero.

Apresentaremos a seguir, o coral da Cantata 147: Jesus minha Alegria!



Johanes Brahms nasceu em 7 de maio de 1833, em Hamburgo. Seu pai,Johan Jacob, era contrabaixista e ganhava a vida tocando nos bares e nas tavernas da cidade portuária. Logo ele percebeu os dotes pouco comuns do filho e quando este completava 7 anos, contratou o excelente professor Otto Cossel para dar-lhe aulas de piano. Aos 10 anos, fez seu primeiro concerto público, interpretando Mozart e Beethoven. Também aos 10 anos, frequentava tabernas com seu pai e tocava lá durante parte da noite.

Não tardou a receber um convite para tocar nas cervejarias da noite hamburguesa, ao lado de seu pai. Enquanto trabalhava como músico profissional, Johannes tinha aulas com Eduard Marxsen, regente da Filarmônica de Hamburgo e compositor. Foi Marxsen quem lhe deu as primeiras noções de composição, para sua grande alegria. Brahms foi um grande compositor de canções e, numericamente, os lieder formam a maior parte de sua obra.

O Abschiedslied, canção de despedida, canta a tristeza da separação dos amantes e diz:
“Eu sigo em frente se for necessário
Despeço-me da minha amada
Por fim deixo meu coração para ela
Enquanto eu viver assim será
Eu sigo em frente, eu sigo em frente.”



Renato Teixeira nasceu em Santos em 1945. Passou a infância em Ubatuba, SP, indo aos 14 anos para Taubaté, onde viveu até os 24 anos. No início dos anos 1960 trabalhou como radialista na Rádio Difusora de Taubaté, onde, tomou conhecimento da música sertaneja. Mudou-se para São Paulo em 1967, onde no Bar Patachou, na Rua Augusta, dividiu mesas e debates com artistas de sua geração, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa e Geraldo Vandré.
Em meados dos anos 1960 formou a "Banda Água", com a qual começou a trabalhar com os velhos temas caipiras. Gradativamente migrou de gênero musical, procurando entretanto mesclas de diversas tendências e estilos musicais. Em 1977  sua composição "Romaria" foi gravada por Elis Regina, tornando-se rapidamente um estrondoso sucesso em todo o país, alterando até velhos preconceitos, ao afirmar convictamente no refrão: "Sou caipira".




Cacilda Borges Barbosa que viveu longamente no Rio de Janeiro, de 1914 a 2010, foi uma maestrina, compositora, pianista e professora brasileira de música erudita e, no início de sua carreira, também de música popular. Aluna de composição de Antônio Francisco Braga na Escola Nacional de Música, Cacilda pertence à geração de autores que estenderam sua produção entre 1940 e o início do século XXI.

Provavelmente sua peça mais conhecida é o coral "Procissão da Chuva", com letra de Wilson Rodrigues, que integra o repertório de grande número de conjuntos vocais brasileiros.



Vinícius de Moraes, carioca, viveu de 1913 a 1980.  Embaixador brasileiro e poeta essencialmente lírico, também conhecido como "Poetinha" , apelido que lhe teria atribuído Tom Jobim, notabilizou-se pelos seus sonetos.

Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O Poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida.

Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. No campo musical, o Poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim e Baden Powell dos quais apresentaremos a seguir: "Eu sei que vou te amar" e "Berimbau".



Ciranda da Rosa Vermelha

Ciranda é um tipo de dança e música de Pernambuco mais precisamente da ilha de Itamaracá, onde mulheres dos pescadores cantavam e dançavam esperando eles chegarem do mar. Caracteriza-se pela formação de uma grande roda, geralmente nas praias ou praças, onde os integrantes dançam ao som de ritmo lento e repetido.
O ritmo, quaternário, lento, com o compasso bem marcado por um toque forte do zabumba (ou bumbo), e acompanhado pelo tarol, o ganzá, o maracá, é coreografado pelo movimento dos cirandeiros. São utilizados basicamente instrumentos de percussão.
Ciranda da Rosa Vermelha que ouviremos agora é uma peça folclórica que ficou famosa nas vozes de Alceu Valença e Elba Ramalho.



Rosa Amarela

O coco é um ritmo originalmente criado no estado de Alagoas.
Coco significa cabeça, de onde vêm as músicas, de letras simples. Com influência africana e indígena, é uma dança de roda acompanhada de cantoria e executada em pares, fileiras ou círculos durante festas populares do litoral e do sertão nordestino.
O som característico do coco vem de quatro instrumentos (ganzá, surdo, pandeiro e triângulo), mas o que marca mesmo a cadência desse ritmo é o repicar acelerado dos tamancos. A sandália de madeira é quase como um quinto instrumento, se duvidar, o mais importante deles. Além disso, a sonoridade é completada com as palmas.
O coco "Rosa Amarela" foi recolhido por Villa-Lobos na Paraíba e publicado no "Guia Prático para ser usado nas escolas brasileiras". Ouviremos a seguir a versão de Luis Vivanco para este coco.



Baião

O baião é, das músicas regionais brasileiras, a única que conseguiu, de fato, projeção nacional
Esse gênero de música tipicamente nordestina foi transformado em música popular urbana a partir de meados da década de 40 graças ao trabalho de Luiz Gonzaga (o rei do baião) e Humberto Teixeira (o doutor do baião).
Segundo Tinhorão o baião teria nascido provavelmente de uma forma especial dos violeiros tocarem lundu na zona rural do nordeste estruturando-se em seguida como música de dança.
O baião que vamos ouvir é um cânone, composto por um dos maiores compositores brasileiros da atualidade,o catarinense Edino Krieger que completou recentemente 85 anos.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Repertório natalino de 2012 comentado


1. En natus est Emanuel – de Michael Praetorius

Nascido em 1571 e morto em 1621, Michael Praetorius, filho caçula de um pastor luterano, foi um compositor alemão do período da Renascença, organista e escritor sobre música.
Foi um dos mais versáteis compositores de sua época e tremendamente prolífero, tendo suas obras mostrado influência dos contemporâneos Samuel Scheidt and Heinrich Schütz. Ficou famoso como compositor de música sacra.

A peça de sua autoria "En natus est Emanuel" é um belo exemplo da sua rica trajetória musical.

A letra da música, em versão na língua portuguesa, diz o seguinte:
É nascido Emanuel, o Cristo Senhor
Como predisse Gabriel
Ele é o nosso salvador
Ele está deitado na manjedoura
E esta criancinha é Deus
Nos ilumina um claro fulgor
de Maria a virgem pura



2. Ave Maria – de Heitor Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos nasceu em 1887, no Rio de Janeiro e foi um dos maiores compositores brasileiros do século XX. Escreveu inúmeras obras instrumentais e vocais. Esteve envolvido, dentre outros, com o projeto educacional do canto orfeônico nas escolas primárias e normais, que inclusive previa a formação de um grupo de professores especializados em canto orfeônico, além de promover concertos didáticos.

Villa-Lobos compôs muitas Ave-Marias para canto e coro desde sua juventude até sua idade madura.

A oração da Ave Maria é uma saudação à Virgem e é a mais familiar de todas as orações usadas pela Igreja Católica. Seu texto é composto por três partes distintas:
1. Saudação do anjo Gabriel dirigida à Maria, anunciando-lhe a sua concepção: “Alegra-te, cheia de graça. O Senhor está contigo.”
2. Saudação que Isabel fez à Maria, sua prima: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”, e
3. Súplica ou prece adicionada posteriormente pela Igreja: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.” Foi estabelecida definitivamente pela Igreja em 1568, pelo Papa Pio V

A Ave Maria, de autoria de Villa-Lobos, que ouviremos a seguir, foi composta em 1916.
 É uma peça escrita para coro de duas vozes, que são cantadas em forma de cânone.



3. Dadme albricias hijos de Eva! – do Cancioneiro de Uppsala

O Cancioneiro de Uppsala, também conhecido como Cancioneiro do Duque da Calabria ou Cancioneiro de Veneza, é um livro que contém villancicos espanhóis, de autores em sua maioria anônimos, da época renascentista.
O único exemplar conhecido da edição foi encontrado em 1907 pelo musicólogo e diplomata Rafael Mitjana, na biblioteca da Universidade de Uppsala, na Suécia. Daí a razão do nome “Cancioneiro de Uppsala”.

A peça “Dadme albricias” – “Dê-me alvíssaras, que é nascido o novo Adão!” é uma das obras que pertence a esse cancioneiro. Podemos verificar nesse villancico uma das características comuns a muitas dessas obras, a saber, a presença de seções para uma só voz no início do estribilho ou nas estrofes ou em ambos, de forma que se pode estabelecer uma clara distinção entre as duas seções.
Observamos igualmente que tanto a música como o texto são extremamente simples, aproximando-se com a singeleza popular.

Deem-me alvíssaras (boas notícias), filhos de Eva!
Digam-me o que foi dado a vocês?
Nascido é ele, o novo Adão.
Oh, Filho de Deus, e que nova!

Dá-me a notícia de alegria,
Pois esta noite nasceu
O Messias prometido,
Homem e Deus, nascido de mulher.

Por seu nascimento, ele nos redime 
do pecado e do desejo.
Que é nascido o novo Adão.
Oh, Filho de Deus, e que nova!”



4. What child is this? – uma Canção tradicional inglesa

What child is this?” é um cântico tradicional inglês, baseado numa melodia folclórica conhecida, “Greensleeves”. Vários textos foram escritos para essa melodia já no século 14.
A versão do texto, que será apresentada agora, foi escrita em 1865, por William Chatterton Dix, e foi publicada no livro “Christmas Carols New and Old” – “Canções natalinas antigas e novas”, em torno de 1867.

1. Que criança é esta, que, colocada para descansar,
No colo de Maria está dormindo,
Que anjos cumprimentam com hinos doces
Enquanto os pastores estão vigiando?
Este, este é Cristo, o Rei,
Que pastores guardam e anjos cantam;
Corram, corram para louvá-lo,
O bebê, filho de Maria!

2. Por que Ele está deitado em tão pobre lugar
Onde o boi e o burro se alimentam?
Bom cristão, teme: para os pecadores aqui
A palavra silenciosa está suplicando.
Pregos e lança o transpassarão
A Cruz terá para mim, para você
Salve, salve o Verbo se tornou carne
O bebê, filho de Maria!

3. Então traga para ele incenso, ouro e mirra;
Venha, camponês, rei, para possuí-lo
O Rei dos Reis traz salvação;
Deixe os corações amorosos entronizá-Lo!
Elevam a música ao alto!
A virgem canta sua cantiga de ninar.
Alegria! alegria! para Cristo que nasceu,
O bebê, filho de Maria!



5. Cantique de Noël – de Adolphe Adam

Cantique de Noel, Cantiga de Natal, é uma conhecida canção natalina escrita em 1847 pelo compositor francês do período romântico Adolphe Adam, para o poema “Minuit, chrétiens” – “Meia-noite, cristãos”, de autoria de Placide Cappeau.
Cappeau, poeta e mercador de vinhos, recebeu a incumbência para escrever esse poema cristão de um sacerdote da paróquia.
O texto, tanto na versão francesa, quanto nas duas versões posteriores inglesas, faz uma reflexão sobre o nascimento de Jesus e da redenção da humanidade.

Meia-noite, cristãos, é a hora solene,
Quando Deus como homem desceu até nós
Para apagar a mancha do pecado original
E para terminar a ira de seu pai.
O mundo inteiro vibra de esperança
Nesta noite que lhe dá um Salvador.
Pessoas ajoelhadas, a esperar por sua libertação.
Natal, Natal, aqui é o Redentor,
Natal, Natal, aqui é o Redentor!



6. Amazing Grace – uma Canção tradicional escocesa com letra de John Newton

Depois de um curto tempo na Marinha Real, John Newton iniciou sua carreira como traficante de escravos.
Certo dia, durante uma de suas viagens, o navio de Newton foi fortemente afetado por uma tempestade. Momentos depois de ele deixar o convés, o marinheiro que tomou o seu lugar foi jogado ao mar, por isso ele próprio guiou a embarcação pela tempestade.
Incentivado por esse acontecimento ele resolveu abandonar o tráfico de escravos, se converteu e se tornou pastor.

"Amazing Grace" é um conhecido hino tradicional protestante com a letra escrita pelo inglês John Newton, que, em poucas palavras, diz o seguinte:

Graça incrível, como é doce o som
Que salvou um miserável como eu.
Certa vez estava perdido, mas agora fui encontrado,
Era cego, mas agora eu vejo.

Foi a graça que ensinou temor ao meu coração
E a graça que aliviou meus medos.
Quão preciosa essa graça pareceu
Na hora em que eu acreditei.



7. Noite de Festas – de Aloysio de Alencar Pinto

Aloysio de Alencar Pinto nasceu em 1911, na cidade de Fortaleza, Ceará. Foi instrumentista, compositor e folclorista brasileiro. Aos sete anos começou a estudar piano com uma tia. Em 1927, conheceu em Fortaleza Nicolai Orloff, grande virtuose do piano, que se tornou seu professor e mentor de toda uma vida.
Mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi aluno de piano de Barroso Neto, no Instituto Nacional de Música.
Viajando a Paris, ali se aperfeiçoou com Robert Casadesus, pianista clássico e compositor francês, Marguerite Long, eminente concertista e professora francesa, e Nadia Boulanger. Aloysio foi um pianista de excepcional qualidade de formação clássica.
O seu acervo de compositor contém mais de 400 peças dos mais variados gêneros, entre missas, cânticos sacros, canções de câmara, músicas para órgão e piano (várias a quatro mãos e para dois pianos), obras camerísticas e orquestrais.



8. Chorinho Natalino – de José Vieira Brandão

José Vieira Brandão nasceu em 26 de setembro de 1911 na cidade mineira de Cambuquira. Diplomou-se pelo conservatório Nacional de Canto Orfeônico e foi responsável por várias primeiras audições de obras de Heitor Villa-Lobos. Dedicou-se mais tarde à composição e à regência coral. Na sua personalidade artística destacavam-se três aspectos que se inter-relacionam: o de educador, o de pianista e o de compositor.
José Vieira Brandão musicava poemas e textos de diversos escritores, além de escrever, algumas vezes, também a letra de suas músicas.

O Chorinho Natalino, composto em 1977, possui configurações rítmicas bem típicas do choro, com síncopes e alternância entre compassos binário e ternário.



9. Sinos de Belém – de Edino Krieger

Consagrado compositor brasileiro contemporâneo, Edino Krieger teve na sua fase de formação musical marcante influência artística e intelectual do maestro e compositor Koellreutter. Aos 17 anos recebeu o prêmio Música Viva. Aos 20 anos conquistou o 1º lugar no Concurso para Jovens Compositores da América Latina, promovido pelo Berkshine Music Center de Massachussets, onde estudou com Aaron Copland e Darius Milhaud. É respeitável crítico musical.
Recebeu inúmeros prêmios como o Internacional da Paz do Festival de Varsóvia; o prêmio da Fundação Rottelini de Roma; o 1º lugar no Concurso Nacional de Composição, promovido pelo MEC e Prêmio Nacional do Disco (1961).
Exerceu longa e intensa carreira na Rádio MEC, como produtor de programas, diretor musical e assistente da Orquestra Sinfônica Nacional daquela emissora. Escreveu obras para piano, cordas, orquestra, várias canções e música incidental para teatro e cinema. Fez incursões na música popular, idealizou festivais, foi presidente da Funarte e da Academia Brasileira de Música.

A peça Sinos de Belém das 20 Rondas Infantis (1952-1982), dedicada à maestrina Elza Lakschevitz e seu coro infantil, é uma obra simples, escrita para crianças e violão, em forma de cânone, contando a história do nascimento de Jesus, anunciada pelos sinos blém, blém, blém.



10. Viva a Noite de Natal – de Ricardo Tacuchian

Compositor, maestro e professor universitário, Ricardo Tacuchian, nasceu em 1939, no Rio de Janeiro.
Descendente de uma família da Armênia que emigrou para o Brasil, iniciou os estudos musicais ainda pequeno e aos 9 anos de idade começou a compor.
Aos 12 anos, entrou para a Escola Nacional de Música, estudando com professores renomados. Obteve os diplomas de Piano, em 1963, e graduou-se, em 1965, em Regência. Terminou a sua pós-graduação em Regência, em 1967, e em Composição e Orquestração em 1968, na mesma Escola.
Ao longo de sua vida, recebeu vários prêmios e homenagens pela sua atuação como compositor e outras atividades relacionadas com a música e a cultura.
Tacuchian pertence a várias associações científicas e culturais, destacando-se a Academia Brasileira de Música, fundada por Villa-Lobos, onde foi presidente por vários mandatos.

domingo, 24 de junho de 2012

A história por trás da música: "Abschied vom Walde"

Jakob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy conhecido como Felix Mendelssohn (Hamburgo, 3 de fevereiro de 1809 — Leipzig (Lípsia), 4 de novembro de 1847) foi um compositor, pianista e maestro alemão do início do período romântico. Algumas das suas mais conhecidas obras são a suíte Sonho de uma Noite de Verão (que inclui a famosa marcha nupcial), dois concertos para piano, o concerto para violino, cerca de 100 lieder, e os oratórios São Paulo e Elijah entre outros.

Mendelssohn era filho do banqueiro Abraham Mendelssohn e de Lea Salomon, e neto do filósofo judaico-alemão Moses Mendelssohn, membro de uma família judia notável, mais tarde convertida ao cristianismo. Felix cresceu num ambiente de intensa efervescência intelectual. Começou a compor aos nove anos (mais tarde mudou seu sobrenome para Mendelssohn Bartholdy).

Mendelssohn era considerado uma criança prodígio. Começou lições de piano com a sua mãe aos seis anos, acompanhados por Marie Bigot. A partir de 1817, estudou composição com Carl Friedrich Zelter em Berlim. Escreveu e publicou o seu primeiro trabalho, um quarteto com piano, aos treze anos. Mais tarde teve aulas de piano do compositor e virtuoso Ignaz Moscheles, confessou em seu diário que ele tinha muito a ensinar-lhe. Moscheles foi grande colega e amigo ao longo da vida.


Joseph Karl Benedikt Freiherr von Eichendorff nasceu em 10 de Março 1788 no Castelo de Lubowitz em Ratibor, filho de um oficial prussiano, o Barão Adolf Theodor Rudolph (1756-1818) von Eichendorff, e de sua esposa Karoline (1766-1822, nascida Baronesa von Kloch). Sua mãe veio de uma família nobre na Silésia, de quem ela herdou o castelo de Lubowitz.
Joseph teve aulas em casa de 1793 a 1801, juntamente com seu irmão mais velho Wilhelm, dadas pelo Rev. Bernhard Heinke. À leitura de inúmeros livros de aventuras e de cavaleiros e de lendas antigas seguiram-se as primeiras tentativas literárias.

Entre 1805 e1806 Eichendorff estudou Direito e Humanidades na cidade de Halle. No verão de 1810, ele retomou seus estudos de Direito em Viena, graduando-se em 1812.

Em abril de 1815, na cidade de Breslau, Eichendorff se casou com Luise von Larisch; no mesmo ano nasceu seu primeiro filho Hermann, em 1817, nasceu o segundo, Rudolf, em 1819, a filha Teresa e, em 1821, a filha Agnes, que morreu no ano seguinte. Após a morte do pai de Eichendorff, em 1818, os bens da família mais endividados foram vendidos, com exceção do castelo de Lubowitz e da propriedade Sedlnitz.

Eichendorff lamentou pelo resto de sua vida a infância deixada para trás:
"Da minha terra após os relâmpagos vermelhos
De lá vêm
as nuvens,
Mas o pai
e a mãe estão mortos há muito tempo,
Lá ninguém me conhece mais
..."
(do poema: Em terras desconhecidas)

De
1856 a 1857 Eichendorff  se hospedou na residência de verão do Arcebispo de Breslau Heinrich Förster, o Castelo de Johannisberg, em Jauernig, onde também foi muito ativo como escritor.
Eichendorff morreu em 26 de Novembro 1857, na cidade de Neisse (na Silésia), em consequência de um câncer no estômago.


Neste casarão em Lubowitz / Alta Silésia, nasceu Joseph von Eichendorff. Em 1817(?) a família teve de declarar falência e vender a propriedade. A casa sofreu uma reforma profunda e foi praticamente toda destruída durante os conflitos em 1945 e agora está neste estado.

(Fonte: Wikipedia) 


O poema "Abschied vom Walde"

Eichendorff escreveu o poema em outubro de 1810, quando se mudou de sua terra natal Lubowitz para Viena.

Lendo-se o poema pela primeira vez imagina-se um hino à natureza, à floresta.
No entanto, coonsiderando a época na vida de Eichendorff, em que o poema foi escrito (a partida forçada da Silésia), trata-se de uma dicotomia entre a Natureza e o mundo muito ocupado.

Quando busca se agarrar à natureza, o poeta dirige uma provocação à floresta verde, para se isolar e se fechar para o mundo ocupado, mantendo assim seu idílio impenetrável e intocável.

Sem perceber, ele também constrói um contraste entre "andächt'ger" (reverente, respeitoso) e "geschäft'ge" (comercial, ocupado), entre a natureza sagrada e o mundo monetário (de negócios, viciado em lucro).

Em primeiro lugar, é notável a percepção de Eichendorff ao verificar que o mundo ocupado, o mundo dos negócios muitas vezes não passa de encenação ("Schauspiel"). Em segundo lugar, com a correta preservação da terra natal, o coração se mantém sempre jovem. Em outras palavras, a memória da origem de cada um assegura a sobrevivência em uma terra estrangeira.

(Trechos extraídos de uma interpretação de texto, do site Lesekost)  


Assista ao vídeo do coro de câmera "Benevocale", da cidade de Halle, Alemanha, com imagens da região que inspirou o poeta Eichendorff:

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A história por trás da música: Ernst Mahle

Ernst Mahle (Stuttgart, 3 de janeiro de 1929) é um compositor e maestro brasileiro nascido na Alemanha.

Chegou ao Brasil em 1951, naturalizando-se brasileiro em 1962. Foi aluno de composição de Johann Nepomuk David, na Alemanha; de Hans Joachim Koellreuter, no Brasil; e de Messiaen, W. Fortner, E. Krenek, em cursos internacionais de férias, onde também estudou regência com L. von Matacic, R. Kubelik e Mueller-Kray.

Em reconhecimento ao seu extenso trabalho em prol da juventude, recebeu, em 1965, o título de "Cidadão Piracicabano". É co-fundador da Escola de Música de Piracicaba "Maestro Ernst Mahle", onde exerce o cargo de Professor e Maestro das Orquestras de Câmera e Sinfônica, sendo o idealizador do bianual "Concurso Jovens Instrumentistas". Atua também como Professor em vários cursos de férias e festivais de música. Foi vice-presidente da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea e é membro da Academia Brasileira de Música (cadeira nº 6).

Críticos de arte atestam a qualidade da música de Mahle, sendo reconhecido por sua técnica irrepreensível. Como compositor foi premiado em vários concursos e é internacionalmente conhecido pela magnitude e valor de seus trabalhos em prol da educação musical e de suas obras, tanto no repertório camerístico como orquestral. Em 1995, recebeu o prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

(Fonte: Wikipedia)

terça-feira, 22 de maio de 2012

A história por trás da música: "Amazing Grace"


"Amazing Grace" é um conhecido hino tradicional protestante com a letra escrita pelo inglês John Newton e foi impresso pela primeira vez no Newton's Olney Hymns (1779). Quando “Amazing Grace” foi publicado pela primeira vez no “Newton’s Olney Hymns” somente a letra fora impressa sem partitura musical alguma. Acredita-se também que o texto era recitado na época e não cantado.

Letra e História

Depois de um curto tempo na Marinha Real, John Newton iniciou sua carreira como traficante de escravos. Certo dia, durante uma de suas viagens, o navio de Newton foi fortemente afetado por uma tempestade. Momentos depois de ele deixar o convés, o marinheiro que tomou o seu lugar foi jogado ao mar, por isso ele próprio guiou a embarcação pela tempestade. Mais tarde ele comentou que durante a tempestade ele sentiu que estavam tão frágeis e desamparados e concluiu que somente a Graça de Deus poderia salvá-los naquele momento. Incentivado por esse acontecimento e pelo que havia lido no livro, Imitação de Cristo de Tomás de Kempis, ele resolveu abandonar o tráfico de escravos e tornou-se cristão, o que o levou a compor a canção Amazing Grace (em português: "Graça Maravilhosa").

História do autor do hino Amazing Grace

Em torno de 1750, John Newton era o comandante de um navio negreiro inglês. Os navios fariam o primeiro percurso de sua viagem da Inglaterra, quase vazios, até que chegassem na costa africana. Lá os chefes tribais entregariam aos europeus as "cargas" compostas de homens e mulheres, capturados nas invasões e nas guerras entre as tribos. Os compradores selecionariam os espécimes mais finos, e os comprariam em troca de armas, munição, licor, e tecidos. Os cativos seriam trazidos, então, à bordo e preparados para o "transporte". Eram acorrentados abaixo das plataformas para impedir suicídios. Eram colocados de lado a lado, para conservar o espaço, em fileira após a fileira, uma após outra, até que a embarcação estivesse "carregada", normalmente com até 600 "unidades" de carga humana.

Os capitães procuravam fazer uma viagem rápida, esperando preservar ao máximo a sua carga; contudo, a taxa de mortalidade era alta, normalmente 20% ou mais. Quando um surto de disenteria ou qualquer outra doença ocorria, os doentes eram jogados ao mar. Uma vez que chegavam ao Novo Mundo, os negros eram negociados por açúcar e o melaço, para manufaturar o rum, que os navios carregariam à Inglaterra para o pé final de seu "comércio triangular."

John Newton transportou muitas cargas de escravos africanos trazidos à América no século 18. No mar, em uma de suas viagens, o navio enfrentou uma enorme tempestade e afundou. Newton ofereceu sua vida à Cristo, achando que iria morrer. Após ter sobrevivido, ele se converteu e começou a estudar para ser pastor. Nos últimos 43 anos de sua vida ele pregou o evangelho em Olney e em Londres. Em 82, Newton disse: "Minha memória já quase se foi, mas eu recordo duas coisas: que eu sou um grande pecador, e que Cristo é meu grande salvador!"

No túmulo de Newton, lê-se: "John Newton, uma vez um infiel e um libertino, um mercador de escravos na África, foi, pela misericórdia de nosso senhor e salvador Jesus Cristo, perdoado e inspirado a pregar a mesma fé que ele tinha se esforçado muito por destruir."

O seu mais famoso testemunho continua vivo, no mais famoso das centenas de hinos que escreveu: Amazing Grace!

(Fonte: Wikipedia)